Com maior seca dos últimos 50 anos, programa recupera nascentes em AL

Vivendo ainda aquela que é a pior seca dos últimos 50 anos, os sertanejos de Alagoas conseguem um alívio com um programa de recuperação de nascentes degradadas, o que torna a água suja em própria para consumo humano.
Nos últimos dois anos, 164 nascentes em municípios do sertão e semiárido foram recuperadas pelo Programa de Recuperação de Nascentes, do governo do Estado, atendendo 10 mil pessoas.
Recuperação de nascente do povoado Caldeirão, em São José da Laje (101 km de Maceió)O projeto é considerado de baixo custo, e a meta é recuperar 400 nascentes até 2018. De acordo com a Uneal (Universidade Estadual de Alagoas), o número de nascentes em todo o Estado é de 2.000, porém a Semarh (Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos) estima que exista o dobro.
"A recuperação das nascentes é algo muito importante para o meio de ambiente e para diminuir a sede do sertanejo. Comunidades inteiras com nascentes degradadas sofriam com água sem a qualidade, o que está mudando", disse o gestor do programa, Adolfo Barbosa.
O secretário de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Alexandre Ayres, disse que vai ampliar o programa, e mais comunidades e povoados das regiões agreste e sertão serão contemplados. A secretaria faz um levantamento para comprovar a estimativa do número de nascentes.
"Nessas regiões, as famílias convivem diariamente com os problemas decorrentes da estiagem. Com o intuito de minorar esta situação, será necessário ampliar o programa", afirma Ayres.
O trabalho é direcionado para localidades que não são atendidas pela Casal (Companhia de Saneamento de Alagoas) e não existe oferta de água das prefeituras.
A comunidade São Manuel, localizada no município de Boca da Mata (78 km de Maceió), foi uma das atendidas com a recuperação da única nascente. Lá, os moradores nunca tinham tomado banho de chuveiro e andavam mais de quatro quilômetros descendo a serra ingrime para conseguir água potável. 
Divulgação
Recuperação de nascente do povoado Caldeirão, em São José da Laje (101 km de Maceió)
O povoado Loango, localizado no município de Cajueiro (74 km de Maceió), também teve a nascente recuperada.
A nascente estava dentro de uma plantação de bananeira, onde animais tinham acesso. Antes totalmente degradada, Agora, 20 famílias têm água potável disponível.
"Para nós, melhorou 100%. Agora a água é limpinha e tratada. Antes, eu já utilizava a água da nascente, mas ela chegava barrenta", disse Ademar Ferreira, 65, o morador do povoado Loango.

Recuperação

A nascente é identificada por meio de relatos dos moradores. Os técnicos ambientais iniciam a análise de teor de cálcio e outros minerais, além do índice de coliforme fecal.
Depois é realizada palestra com a comunidade explicado a importância da recuperação da nascente e, com apoio dos moradores, é iniciada a recuperação.
A execução do projeto é de baixo custo por utilizar mão de obra da própria comunidade orientada pelo técnico ambiental. O valor do kit de instalação é de R$ 1.480, composto por caixa de polietileno com capacidade para armazenar 3.000 litros, tubulação de PVC, mangueiras e cimento.
O trabalho dura em média três dias e começa com o isolamento da área num raio de 50 metros para secar o local.
Depois é feito o replantio da área com a inclusão de vegetação nativa ao mesmo tempo que é feita a drenagem da água para ser feita a limpeza do local.
São colocadas pedras e a cabeceira da nascente é fechada com cimento, virando uma espécie de barragem subterrânea. Ao usar pedras e sedimento natural a água sai quase filtrada.
Em seguida, são instaladas tubulação para que a água chegue à caixa de polietileno, onde será armazenada e distribuída. A comunidade poderá a partir do reservatório estender tubulações para levar a água para dentro das casas.
Para a qualidade da água ficar mais segura, sem risco de contaminação por coliformes fecais e outras bactérias, o programa orienta que a comunidade use pastilhas de cloro no reservatório.
A pastilha dura seis meses e custa em média R$ 15,00. Barbosa ensina outra alternativa para descontaminar a água sem custo e de forma natural é usar o método Sodis.
A água é colocada numa garrafa pet, que fica em cima de uma placa de alumínio disposta no solo por seis e oito horas. "Os raios UV e o calor acabam com todas as bactérias. Esse método é usado em países da África e da Índia", diz Barbosa.
http://noticias.uol.com.br/
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