Vivendo ainda aquela que é a pior seca dos últimos 50 anos, os sertanejos de Alagoas conseguem um alívio com um programa de recuperação de nascentes degradadas, o que torna a água suja em própria para consumo humano.
Nos últimos dois anos, 164 nascentes em municípios do sertão e semiárido foram recuperadas pelo Programa de Recuperação de Nascentes, do governo do Estado, atendendo 10 mil pessoas.
"A recuperação das nascentes é algo muito importante para o meio de ambiente e para diminuir a sede do sertanejo. Comunidades inteiras com nascentes degradadas sofriam com água sem a qualidade, o que está mudando", disse o gestor do programa, Adolfo Barbosa.
O secretário de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Alexandre Ayres, disse que vai ampliar o programa, e mais comunidades e povoados das regiões agreste e sertão serão contemplados. A secretaria faz um levantamento para comprovar a estimativa do número de nascentes.
"Nessas regiões, as famílias convivem diariamente com os problemas decorrentes da estiagem. Com o intuito de minorar esta situação, será necessário ampliar o programa", afirma Ayres.
O trabalho é direcionado para localidades que não são atendidas pela Casal (Companhia de Saneamento de Alagoas) e não existe oferta de água das prefeituras.
A comunidade São Manuel, localizada no município de Boca da Mata (78 km de Maceió), foi uma das atendidas com a recuperação da única nascente. Lá, os moradores nunca tinham tomado banho de chuveiro e andavam mais de quatro quilômetros descendo a serra ingrime para conseguir água potável.
O povoado Loango, localizado no município de Cajueiro (74 km de Maceió), também teve a nascente recuperada.
A nascente estava dentro de uma plantação de bananeira, onde animais tinham acesso. Antes totalmente degradada, Agora, 20 famílias têm água potável disponível.
"Para nós, melhorou 100%. Agora a água é limpinha e tratada. Antes, eu já utilizava a água da nascente, mas ela chegava barrenta", disse Ademar Ferreira, 65, o morador do povoado Loango.
Recuperação
A nascente é identificada por meio de relatos dos moradores. Os técnicos ambientais iniciam a análise de teor de cálcio e outros minerais, além do índice de coliforme fecal.
Depois é realizada palestra com a comunidade explicado a importância da recuperação da nascente e, com apoio dos moradores, é iniciada a recuperação.
A execução do projeto é de baixo custo por utilizar mão de obra da própria comunidade orientada pelo técnico ambiental. O valor do kit de instalação é de R$ 1.480, composto por caixa de polietileno com capacidade para armazenar 3.000 litros, tubulação de PVC, mangueiras e cimento.
O trabalho dura em média três dias e começa com o isolamento da área num raio de 50 metros para secar o local.
Depois é feito o replantio da área com a inclusão de vegetação nativa ao mesmo tempo que é feita a drenagem da água para ser feita a limpeza do local.
São colocadas pedras e a cabeceira da nascente é fechada com cimento, virando uma espécie de barragem subterrânea. Ao usar pedras e sedimento natural a água sai quase filtrada.
Em seguida, são instaladas tubulação para que a água chegue à caixa de polietileno, onde será armazenada e distribuída. A comunidade poderá a partir do reservatório estender tubulações para levar a água para dentro das casas.
Para a qualidade da água ficar mais segura, sem risco de contaminação por coliformes fecais e outras bactérias, o programa orienta que a comunidade use pastilhas de cloro no reservatório.
A pastilha dura seis meses e custa em média R$ 15,00. Barbosa ensina outra alternativa para descontaminar a água sem custo e de forma natural é usar o método Sodis.
A água é colocada numa garrafa pet, que fica em cima de uma placa de alumínio disposta no solo por seis e oito horas. "Os raios UV e o calor acabam com todas as bactérias. Esse método é usado em países da África e da Índia", diz Barbosa.
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